fbpx

A atenção na atenção plena

Neste artigo, vamos abordar a importância da atenção e como podemos colocá-la em prática no nosso dia a dia.
a atenção

A atenção é uma das mais importantes capacidades que temos como seres humanos. Sem ela, não seríamos capazes de realizar as mais simples tarefas do dia a dia.

A atenção plena, por sua vez, é um estado de consciência em que nos concentramos intencionalmente no momento presente, sem julgamento.

Embora possa parecer simples, a atenção plena requer prática e disciplina. Muitas vezes, nosso foco é atraído para o passado ou para o futuro, deixando o presente em segundo plano.

A atenção plena nos ajuda a prestar mais atenção às nossas experiências e a viver de forma mais consciente e presente.

Inscreva-se para receber artigos toda semana

As duas atenções são necessárias para o desenvolvimento da Atenção Plena.

Atenção externa é prestar atenção no outro. É compreender o outro. É ver o mundo verdadeiramente, ver uma árvore, ver uma flor. 

Respondam com sinceridade: qual foi a última vez que vocês viram atentamente uma árvore?

Porque uma coisa é olhar; outra coisa é ver. Geralmente, estamos tão preocupados com nossos pensamentos e nossos sentimentos que não vemos nada. O mundo passa por nós como um grande borrão.

Na nossa infância, tínhamos uma atenção completamente externa, pois tudo era novo. Uma flor, um bichinho, uma árvore, uma nuvem, as pessoas – tudo era novidade, e isso tornava nossa vida mais rica e feliz.

Porém, conforme crescemos, ocorre um processo em que vamos cada vez mais nos afundando em nossos pensamentos e nossos sentimentos, e paramos de olhar o mundo. Passamos a viver em nossa mente.

Assim, no nosso dia a dia, não estamos no corpo físico ou nas situações, estamos sempre na nossa mente. Se alguém está falando com a gente, estamos pensando no que vamos falar a seguir.

Se nos deparamos com uma bela paisagem, pegamos o celular para tirar uma selfie, em vez de apreciarmos o lugar. Vejam, não é à toa nossa necessidade de tirar uma selfie, pois quase sempre ela representa nosso pensamento no futuro.

Isso porque tiramos uma foto pensando quantos likes ela vai gerar quando for postada nas redes sociais. E a paisagem segue lá, apenas um plano de fundo para os nossos pensamentos.

Isso acontece muito em nossas vidas. A maior parte do tempo estamos vivendo em nossa mente, vendo imagens do passado ou do futuro. 

Vamos aprofundar mais essa ocorrência depois, mas a mente quase nunca está no presente.

Sem atenção, a mente fica ruminando coisas do passado – e gerando culpa, ou criando planos no futuro –, o que cria ansiedade. É a atenção que diz para nossa mente estar no aqui e agora.

A questão de estarmos no passado ou no futuro é problemática por diversos motivos, um deles é que, se não estamos no presente, não fazemos ações de qualidade. 

Porque o conhecimento que acumulamos durante a vida fica na mente inconsciente e, para acessá-lo, precisamos aquietar a mente consciente.

Então, o único modo de liberarmos esse conhecimento é estando no momento presente, zerando a mente consciente de imagens do futuro ou do passado. 

Assim, há uma conexão entre o inconsciente e o consciente, e o conhecimento naturalmente sai.

Muitas pessoas têm medo de falar em público, e esse medo geralmente está associado à tentativa de antecipar o que será dito ou de ficar pensando no que já foi falado. Ou seja, a mente está no passado ou no futuro.

Os melhores oradores são aqueles que colocam a mente no momento presente e simplesmente deixam o conhecimento fluir. 

Então, para sermos melhores comunicadores, precisamos direcionar nossa atenção para o agora, porque o conhecimento já está todo ali.

Ter qualidade em nossa atenção externa é realmente observar a pessoa com a qual estamos conversando, em vez de mantermos um diálogo mental paralelo, quase sempre porque queremos ter algum tipo de vitória com a conversa.

Quando agimos assim, os diálogos passam a ser uma competição. Os egos disputam para ver quem tem razão, então, mal o outro concluiu sua fala, já temos argumentos para debatê-la.

Isso é estar no futuro, pois não estamos no momento presente interagindo com as pessoas e com o que elas têm a falar. 

E, se tivemos contato com pessoas que realmente nos olharam no momento presente, não nos esquecemos delas, porque são pouquíssimas no planeta Terra.

Aquelas que, quando estão conversando, realmente prestam a atenção no que temos a dizer estão totalmente no momento presente, sem tentar ganhar uma discussão ou mostrar que são mais inteligentes. Simplesmente estão presentes.

E aí criamos uma conexão com elas, pois é no momento presente que a conexão entre dois seres existe. Agora, se estamos em uma conversa, sem prestarmos atenção no que a pessoa está falando, não há diálogo e conexão.

Isso pode ser corrigido através da atitude, um dos pilares da Atenção Plena, como vimos anteriormente. Podemos ter a atitude sempre que sentirmos nossa mente vagar ou entrar em disputas durante uma conversa. Acionando-a, voltamos para o presente.

É uma questão de atitude voltarmos nossa atenção ao que a pessoa está falando em vez de ficar tentando antecipar o que vamos responder. E, quando falo para prestarmos atenção, não estou falando de fazer julgamentos.

Prestar atenção, na Atenção Plena, é observar com empatia e compaixão. Lembrem-se: somos os Observadores dos pensamentos, aqueles que os comandam. Então, se o cérebro quiser julgar, dizemos a ele: “Sem julgamentos.”

Porque a verdadeira troca ocorre quando dois seres com pontos de vista diferentes interagem. Se todo mundo fosse igual, o mundo não teria a riqueza e a diversidade que tem. A riqueza do mundo é cada um ser diferente.

Só que o julgamento nos impede de nos conectarmos com o diferente. Com isso, caímos na zona de conforto mental, passamos a vida inteira pensando a mesma coisa, mantendo o mesmo ponto de vista, por causa do julgamento.

A atenção interna é percebermos como estamos nos sentindo neste exato momento. Estamos bem? Estamos ansiosos? Se sim, de onde vem essa ansiedade? “Estou ansioso porque minha empresa está demitindo muitos funcionários e não sei se vou ser mandado embora.”

Percebem com essa ansiedade surgiu de um pensamento no futuro? Então, para aliviá-la, precisamos voltar nossa atenção para dentro, olhar essa ansiedade, não negá-la ou lutar com ela, e ter autocompaixão com a gente mesmo.

“Ok, estou ansioso. É natural eu estar ansioso tendo pela frente a possibilidade de perder meu emprego, sendo que tenho contas a pagar e filhos para criar.” Essa ansiedade está tentando, como instinto de sobrevivência, mostrar-nos que é preciso agir.

Só que nos mantermos nessa ansiedade cria uma série de disfunções psicológicas. Então, precisamos racionalmente voltar ao presente e analisar a situação real em que estamos: “Eu estou ansioso. 

Mas não fui mandado embora e pode ser que nem seja.” Fazemos isso porque, com frequência, o futuro não ocorre como imaginamos, seja positiva ou negativamente.

E isso é assim porque a vida é independente, os acontecimentos estão além do nosso controle. Então, o ato de prestarmos atenção em nós mesmos é, em um primeiro momento, assumirmos que não temos controle sobre a vida.

Esse fato por si só não é um problema, mas, se tentamos ter o controle das situações e das pessoas à nossa volta, a ansiedade vem. Então, na verdade, a ansiedade nos traz a oportunidade de largarmos a mão do controle.

Observando nossa ansiedade podemos afirmar: “Eu não tenho controle do que vai acontecer comigo e está tudo bem. Se cheguei até aqui na idade que tenho, independentemente do que aconteça vou dar um jeito de sobreviver de novo.”

E é a mesma coisa em relação ao passado: se estamos nos sentindo culpados por algo, com uma angústia nos pesando o peito, prestamos atenção de onde vem esse sentimento. Se observarmos, a origem aparecerá.

“Estou sentindo culpa porque há 20 anos bati no Fulano.” Agora é necessária, novamente, a compaixão, que podemos alcançar quando prestamos atenção no que de fato origina o processo de culpa em nós.

É fundamental prestarmos atenção não somente nos nossos sentimentos, mas nas nossas sensações físicas. Um dos principais exercícios de Atenção Plena é o relaxamento, pois ele, em si, é um efeito secundário, mas nos leva a prestarmos atenção no nosso corpo.

Quando vamos atentamente da ponta dos pés até o topo da cabeça relaxando, percebemos o quão tensos estamos. 

Se eu pedir para vocês fecharem os olhos e relaxarem o rosto agora, provavelmente vão perceber como a boca, os olhos, as orelhas e até o couro cabeludo estavam tensos.

Mas por que estamos tensos e precisamos colocar atenção no corpo para relaxar? Porque quase todas as pessoas em nossa sociedade estão com a amígdala cerebral hiperestimulada.

Isso significa que estamos constantemente achando que estamos em perigo e, por isso, o corpo não relaxa. 

Assim, precisamos desenvolver mais o córtex pré-frontal, o que pode ser feito via Atenção Plena, para que sejamos naturalmente mais confiantes e relaxados.

É importante pontuar que essa sensação de perigo vem frequentemente por causa das projeções de pensamento que fazemos em relação ao futuro. Percebam: ninguém sabe o que ocorrerá consigo no amanhã, por isso precisamos entregar para o universo.

Eu sei que não é fácil esse movimento de entrega, o qual os taoístas chamam de “soltar” ou “deixar o rio nos levar”. 

A questão é que é uma luta perdida, porque a vida sempre vence e acontece aquilo que ela quis que acontecesse.

Nós erramos até quando pensamos sobre o passado, que já aconteceu, porque as memórias não são fiéis aos fatos, imaginem quando falamos de futuro! E prestar atenção nisso tudo nos traz consciência de que a única coisa que nos resta é o momento presente.

E é nesse momento presente que precisamos ser felizes, pois somente ele é real. Qualquer coisa que projetarmos no futuro ou pensarmos sobre o passado não é real. Assim, a felicidade não está no futuro nem no passado, ela está aqui e agora.

Porém, não adianta isso ser apenas entendido na teoria, é preciso praticarmos a Atenção Plena, desenvolver a compaixão, conhecer os próprios vícios de pensamento, e, com isso, prestando atenção no presente, compreendermos que só temos o agora.

Porque, se observamos os pensamentos por três dias seguidos e concluímos que nossos pensamentos andam em círculo, virá a compreensão de que a vida está acontecendo e estamos perdendo o que importa, porque não colocamos nossa atenção no que é real.

A partir daí, se tocamos uma fruta, realmente sentimos sua textura; se abraçamos alguém, realmente sentimos o abraço; se tomamos banho, sentimos a água cair no corpo. Isso nos faz sentirmos vivos, porque estamos vivendo o momento.

Então, encarem como um treinamento: quando forem tomar banho, sintam a água caindo. No começo, sentirão pouco, mas conforme os receptores que temos na pele foram se conectando melhor com o cérebro, a água vai ficando mais viva.

Quando o corpo estiver desenvolvido para sentir a intensidade da vida, cada segundo será um segundo novo, um segundo mágico, um segundo que vale a pena. Mas isso tudo é treino. Vamos começar?

Livros Recomendados:

Copyright do texto © 2022 Tibério Z Dados internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste artigo pode ser reproduzida ou usada de qualquer forma ou por qualquer meio, eletrônico ou mecânico, inclusive fotocópias, gravações ou sistema de armazenamento em banco de dados, sem permissão por escrito, exceto nos casos de trechos curtos citados em resenhas críticas ou artigos de revistas. (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) ISBN: 978-65-00-27681-7

Damos valor à sua privacidade

Nós e os nossos parceiros armazenamos ou acedemos a informações dos dispositivos, tais como cookies, e processamos dados pessoais, tais como identificadores exclusivos e informações padrão enviadas pelos dispositivos, para as finalidades descritas abaixo. Poderá clicar para consentir o processamento por nossa parte e pela parte dos nossos parceiros para tais finalidades. Em alternativa, poderá clicar para recusar o consentimento, ou aceder a informações mais pormenorizadas e alterar as suas preferências antes de dar consentimento. As suas preferências serão aplicadas apenas a este website.

Cookies estritamente necessários

Estes cookies são necessários para que o website funcione e não podem ser desligados nos nossos sistemas. Normalmente, eles só são configurados em resposta a ações levadas a cabo por si e que correspondem a uma solicitação de serviços, tais como definir as suas preferências de privacidade, iniciar sessão ou preencher formulários. Pode configurar o seu navegador para bloquear ou alertá-lo(a) sobre esses cookies, mas algumas partes do website não funcionarão. Estes cookies não armazenam qualquer informação pessoal identificável.

Cookies de desempenho

Estes cookies permitem-nos contar visitas e fontes de tráfego, para que possamos medir e melhorar o desempenho do nosso website. Eles ajudam-nos a saber quais são as páginas mais e menos populares e a ver como os visitantes se movimentam pelo website. Todas as informações recolhidas por estes cookies são agregadas e, por conseguinte, anónimas. Se não permitir estes cookies, não saberemos quando visitou o nosso site.

Cookies de funcionalidade

Estes cookies permitem que o site forneça uma funcionalidade e personalização melhoradas. Podem ser estabelecidos por nós ou por fornecedores externos cujos serviços adicionámos às nossas páginas. Se não permitir estes cookies algumas destas funcionalidades, ou mesmo todas, podem não atuar corretamente.

Cookies de publicidade

Estes cookies podem ser estabelecidos através do nosso site pelos nossos parceiros de publicidade. Podem ser usados por essas empresas para construir um perfil sobre os seus interesses e mostrar-lhe anúncios relevantes em outros websites. Eles não armazenam diretamente informações pessoais, mas são baseados na identificação exclusiva do seu navegador e dispositivo de internet. Se não permitir estes cookies, terá menos publicidade direcionada.

Visite as nossas páginas de Políticas de privacidade e Termos e condições.

Importante:Esse site faz uso de cookies para melhorar a sua experiência de navegação e recomendar conteúdo de seu interesse.