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Atenção Plena e Budismo

Nesse artigo vamos refletir sobre a relação da atenção plena e o budismo e como essa técnica milenar pode ajudar a termos mais consciência.
Atenção Plena e Budismo

A atenção plena e o budismo são conceitos inter-relacionados. O budismo enfatiza a importância da consciência e da atenção no processo de libertação do sofrimento. A atenção plena pode ser cultivada através da prática meditativa, que é uma das principais práticas religiosas do budismo.

Neste artigo, vamos explorar como a atenção plena pode ser cultivada na vida cotidiana e como ela se relaciona com o budismo.

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Coloquei o título “Atenção Plena e Budismo” com o intuito de provocar, mas o correto seria “Atenção Plena e a filosofia de Buda”, porque o Budismo é uma religião, e Buda não desenvolveu a Atenção Plena para criar o Budismo, ele a desenvolveu como instrumento de expansão da consciência.

Buda criou um método avançado de atenção plena ao qual deu o nome de Foco Quádruplo da Atenção Plena. Essa é uma prática tão avançada que Buda afirmava que, se alguém desenvolvesse o foco quádruplo por sete dias, alcançaria a iluminação.

Porém, para chegar ao resultado prometido por Buda, o praticante deverá ter vencido cinco obstáculos preliminares: o desejo sensual, a má vontade, a preguiça, o torpor, a inquietação e a ansiedade. Para isso, devem ser desenvolvidos os quatro fundamentos da Atenção Plena.

Basicamente, o que Buda estava falando é que, por meio de técnicas de Atenção Plena, conseguimos vencer esses vícios de personalidade e, vencendo esses vícios de personalidade, chegamos à Atenção Plena. Percebam como é um caminho circular.

Podemos querer eliminar a preguiça, por exemplo, mas, para vencê-la, temos que desenvolver a Atenção Plena. Ao mesmo tempo, não conseguimos atenção plena se não prestamos atenção nessas características negativas.

É um círculo que se fecha. Prestamos atenção a tudo o que somos, seja positivo ou negativo, por meio da Atenção Plena. E o ato de prestarmos atenção nos ajuda a romper as barreiras negativas que temos.

Além disso, a Atenção Plena nos ajuda a passar por esse processo sem esforços, sem conflitos com nós mesmos, sem rancores e sem autojulgamentos. Naturalmente, essas características negativas se dissolvem, apenas pelo ato de prestarmos atenção nelas.

         Voltando ao Foco Quádruplo da Atenção Plena de Buda, temos os seguintes elementos:

         1º Fundamento: Plena Atenção sobre o Corpo.

         2º Fundamento: Plena Atenção (Consciência) às Sensações.

         3º Fundamento: Plena Atenção à Mente e aos Estados Mentais.

         4º Fundamento: Plena Atenção aos Assuntos do Dharma.

A seguir, veremos mais sobre cada um desses quatro fundamentos e, ao longo do curso, vamos nos aprofundando em cada um deles. Assim, podemos pensarmos sobre eles em específico, de forma a realmente aproveitá-los em nossas vidas.

Foco Quádruplo – O corpo físico 

O primeiro fundamento do Foco Quádruplo de Atenção Plena, para Buda, é prestar atenção no corpo físico. Como temos um enfoque que passa pelo material e pelo espiritual neste curso, podemos entender que a nossa consciência, que é o observador, está dentro de um corpo físico e vai permanecer nele até o momento do desencarne.

O corpo físico vai ser a nossa morada enquanto estivermos no planeta Terra. Portanto, o primeiro exercício, o mais básico e fundamental, é prestarmos atenção nesse corpo físico.

Muitas pessoas vivem dentro de um espaço mental muito mais do que presentes no próprio corpo. E o que chamamos de presença nada mais é do que estarmos conscientes desse corpo, estarmos plenos dentro dele.

Então, a maioria das pessoas vive em estados de inconsciência. Elas estão dentro do corpo físico, mas estão com a mente divagando, em um espaço mental, e quase nunca estão realmente sentindo o corpo, entendendo as reações e as respostas que ele dá.

E nosso corpo físico é a resposta para todas as nossas questões. Por exemplo, muitas pessoas querem emagrecer, mas possuem o hábito de mastigar pouco a comida e logo engolir, sem saboreá-la, sendo que existem receptores na língua que captam os sabores dos alimentos justamente porque precisamos senti-los. Pode parecer que não, mas isso tem tudo a ver com Atenção Plena.

Isso tem relação com o emagrecimento porque quanto mais rápido engolimos a comida, mais fome temos. Quem verdadeiramente sente o sabor dos alimentos é o cérebro, a língua apenas recebe o estímulo, e o cérebro quer sentir essas sensações uma vez que são prazerosas para ele.

Então, quanto mais rápido engolimos, mais o cérebro pede essa sensação. No fim, comemos muito, mas não apreciamos nada. Outro exemplo são os sentimentos, como a raiva e o nervosismo, pois eles causam mudanças hormonais que refletem no corpo inteiro.    

Então, sabendo como o corpo físico está, tenso ou agitado, por exemplo, sabemos qual sentimento surgiu. Se estamos em nosso corpo físico, conseguimos percebê-lo. Assim, vamos colocando em prática o primeiro elemento do Foco Quádruplo.

Foco Quádruplo – Sensações 

O segundo elemento do Foco Quádruplo da Atenção Plena de Buda é prestar atenção nas sensações. Para isso, imaginem que, enquanto dirigem, vem um pensamento do passado: o dia em que apanhou da sua mãe quando tinha 6 anos de idade.

Esse pensamento dura um pouco na mente, mas, logo em seguida, ele começa a reverberar no corpo físico – por isso o corpo físico é a base – provocando uma série de mudanças hormonais, as quais trazem alterações nos batimentos cardíacos, na respiração e em outros setores biológicos.

Assim, em poucos minutos, estamos com raiva. Mas essa raiva não é nossa e nem nós somos a raiva. Ela aconteceu por uma série de pensamentos e sentimentos que a trouxeram à tona.

Buda nos falava para não tentarmos evitar a raiva, mas para prestarmos atenção ao ciclo dela, ou seja, em como ela surge e se desenvolve em nosso ser. Em nosso cérebro, temos uma região chamada “amígdala” que participa desse processo.

A amígdala é responsável pela defesa, por nosso instinto de sobrevivência. Quando ela identifica algum perigo, libera, através de reações cerebrais e hormonais, substâncias em nosso corpo que nos colocam em estado de ação.

Ela é essencial e sem ela não teríamos sobrevivido como espécie. Porém, na nossa sociedade atual, estamos constantemente hiperestimulando a amígdala, e esse estado desgasta completamente nosso corpo físico, nosso psicológico e nossa energia espiritual.

Voltando ao ensinamento de Buda, ele nos alertava que é fundamental prestarmos atenção nas sensações positivas e nas sensações negativas. E, quando digo prestar atenção, pode ser, por exemplo, perceber de onde vem o sentimento, em que local do corpo o sentimos e que sensações ele traz.

Quando observamos atentamente as emoções, se forem positivas, elas se ampliarão e as sentiremos ainda mais profundamente. Porém, se forem emoções negativas, elas irão diminuir de intensidade.

Isso não quer dizer que não iremos mais sentir raiva. Essa, inclusive, é uma ideia errada que as pessoas têm a respeito da iluminação. Um ser iluminado continua sentindo todas as emoções densas, mas ele não se apega a elas.

Então, o iluminado sente a raiva, mas ele compreendeu o processo desse sentimento e sabe que, a partir do momento que o sentimento surgiu, não dá mais para ser interrompido. Ele compreende, porém, que pode simplesmente não se apegar à raiva e deixá-la passar.

Por sua vez, quem não tem esse treinamento acaba se apegando à raiva e agindo guiado pelo impulso desse sentimento. Além disso, em vez de durar segundos ou minutos, esse sentimento denso pode durar dias, meses ou anos. Percebam, com isso, a importância do ensinamento de Buda e da necessidade de observarmos nossas sensações.

Foco quádruplo – Pensamento 

O terceiro elemento, para Buda, é prestar atenção na mente, nos estados mentais. Isso é fundamental porque o cérebro é uma máquina de produzir pensamentos, e ele faz isso 24 horas por dia!

Vejam, meditar não é parar os pensamentos. Não conseguimos parar de pensar, assim como não conseguimos parar de respirar, afinal, produzir pensamentos é a função do cérebro, e ele é muito eficiente nisso.

A questão é onde colocamos o nosso foco. Lembre-se do que diz o Dr. Kabat-Zinn: “Atenção plena é prestar atenção propositalmente no momento presente sem julgamentos.” Cabe recordar, também, que mindfulness significa a intenção de colocar o foco no momento presente.

Essas imagens que produzimos são basicamente de dois tipos: imagens sobre o passado ou imagens sobre o futuro. Nas imagens sobre o passado, o cérebro pega tudo aquilo que já vivemos e vai lançando em nossa consciência o tempo todo.

Então, por exemplo, podemos estar trabalhando e nos depararmos com imagens de quando tínhamos 20 anos e estávamos de férias na praia. A questão é que, como nos julgamos muito, a tendência é lembrarmos do passado com culpa.

Voltemos à aula anterior para prestarmos atenção nas nossas sensações. Se estamos pensando sobre o passado e isso nos gera culpa, devemos observar esse movimento do cérebro, não nos apegarmos ao sentimento gerado.

O cérebro também pode fazer uma projeção do futuro, e esse tipo de pensamento quase sempre gera ansiedade. Resumindo: os pensamentos em relação ao futuro e ao passado são a raiz de sentimentos como a culpa e a ansiedade.

Por isso, o ensinamento de Buda aborda de modo tão pungente a necessidade de prestarmos atenção ao momento presente. Tendo isso em perspectiva, quando surgir um pensamento de 17 anos atrás que nos gera culpa, por qualquer motivo que seja, vamos querer voltar para o momento presente.

Afinal, como temos consciência de que esse sentimento não vai agregar, não vamos querer permanecer nele. Sabemos que o que passou, passou, não vai voltar. A culpa que sentimos hoje não muda o passado e nem resolve qualquer situação.

Não precisamos alimentar um sentimento que é totalmente inútil para a nossa felicidade, seja a culpa ou a ansiedade. E a ansiedade é inútil, já que grande parte do que imaginamos sobre o futuro não vai acontecer!

Então, por que vamos gerar ansiedade pensando em algo que é ilusão? Sendo assim, quando esses processos mentais começarem a acontecer, vamos querer, com a nossa intenção, voltar para o momento presente.

Aliás, essa é uma ferramenta dada a quem tem síndrome do pânico: ao começar os primeiros sintomas, foque no ambiente. A função disso é trazer a pessoa de volta para o momento presente, tirando-a desse ciclo mental centrado no futuro.     

Isso é fundamental, para todos, não só para quem tem síndrome do pânico, porque, no momento presente, não existe angústia e nem ansiedade. O momento presente apenas é. E só conseguimos sentir o agora estando no agora.

Foco quádruplo – Dharma 

O quarto fundamento é Atenção Plena sobre o Dharma. Esse fundamento é especialmente desafiador para nós ocidentais, porque simplesmente não compreendemos o Dharma e o Karma, que são conceitos muito profundos.

Apesar disso, vou passar aqui o básico sobre minha percepção do conceito do Dharma. Para o budismo, Dharma significa Lei e refere-se à Lei de Deus, a Lei da Natureza e a Lei Universal.

Tudo segue essa Lei criada pelo Divino. Um dos elementos do Dharma é que recebemos aquilo que damos. Para Buda, tendo Atenção Plena sobre esse elemento do Dharma, conseguimos obter uma consciência mais ampla e iluminada.

Se realmente acreditamos que recebemos aquilo que damos, não vamos oferecer rancor, ódio, medo, violência aos outros seres, porque não vamos querer receber isso deles.

Percebam como a Atenção Plena é muito mais profunda do que o Ocidente coloca. Não se trata apenas de controle respiratório ou de foco, é necessário uma mudança interior e uma reflexão profunda sobre como funciona o universo.

Toda vez que somos violentos com as pessoas, as pessoas são violentas com a gente. Toda vez que geramos amor para as pessoas, o amor retorna para nós. Isso é refletir sobre o Dharma.

Segundo Buda, desenvolver os três aspectos anteriores da Atenção Plena é fácil, mas refletir sobre assuntos do Dharma é um trabalho de várias vidas. Porque, para a maioria das pessoas, a vida é um jogo que elas jogam sem saber as regras.

E é como minha advogada sempre fala: “Não é porque você não conhece as leis que elas não existem.” Não podemos alegar para um juiz que agimos errado porque não conhecemos a lei.  Com o universo, funciona igual.

É um problema nosso se não sabemos as leis. Afinal, elas são universais, estão aí para todos. Quando jogamos uma bola de cima de um prédio, essa bola cai no chão porque aqui no planeta Terra existe a gravidade.

A gravidade não escolhe pobre, rico, cor de pele, preferência sexual, ela funciona para todos. Isso vale para todas as regras do Dharma. E, como vimos, uma das regras do Dharma é que recebemos de volta aquilo que oferecemos.

E aí entramos um pouco no Taoísmo, pois ele nos lembra da importância de observarmos a natureza para entendermos a nós e ao universo. Por exemplo, no planeta Terra, temos quatro estações, então, em similaridade, nossa vida não será sempre só verão ou sempre só inverno.

Nossa vida é um pouco verão, depois um pouco inverno, em ciclos que se sucedem. Em nosso momento de inverno, devemos seguir o fluxo e nos retrair; no nosso momento de verão, devemos nos expandir.

Como disse, o Taoísmo nos oferece um caminho para a compreensão profunda das regras do universo por meio da observação da natureza. A natureza, por sua vez, torna-se a solução para os questionamentos do Dharma.

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