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Compaixão e Atenção Plena

Neste artigo, vamos refletir sobre a compaixão e como ela fundamental para praticarmos atenção plena e meditação.
compaixão

Compaixão é um sentimento humano universal, que surge da capacidade de reconhecer a dor alheia e de querer aliviá-la.

A compaixão é um dos pilares da empatia, que é a capacidade de se colocar no lugar do outro e entender o que ele está sentindo.

Para despertarmos a compaixão interior, vamos desenvolver aqui um conceito chamado “Humanidade Compartilhada”. 

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Isso quer dizer que todos nós somos seres humanos e, portanto, todos temos as mesmas dores e as mesmas alegrias.

Nenhum de nós pode escapar da própria humanidade, pois ela está em nosso DNA. Isso é assim porque viemos para o planeta Terra justamente para sentirmos o que os humanos podem sentir.

Mais profundamente, olhando do ponto de vista metafísico, somos seres de outras dimensões que decidiram, por livre vontade, e nunca de modo forçado, a encarnar na Terra com o intuito de experimentarmos sermos um ser humano.

Como todos compartilham as mesmas dores e alegrias, não existe sofrimento maior ou menor, ele apenas existe. E esse sofrimento existe porque temos as mesmas funções fisiológicas cerebrais.

Isso significa que todos produzimos os mesmos hormônios e, assim, temos sempre as mesmas sensações em cada situação. O que muda de um ser humano para o outro é como reagimos às situações.

Inevitavelmente, todos nós vamos passar por um período de luto na vida, pois vamos perder alguém que amamos em algum momento. 

Isso porque a morte é um fato concreto para todos, o que muda é apenas a nossa reação diante dela, dada pela sabedoria de cada um.

Outro ponto sobre a Humanidade Compartilhada é que a dor do outro é a nossa dor, embora muitas pessoas não consigam sentir a dor do outro, pois ainda não possuem a empatia desenvolvida.

Mas isso é apenas questão de treinarmos nosso cérebro. Por meio da Atenção Plena, passamos a sentir empatia pelos outros, porque desenvolvemos as regiões do cérebro necessárias para isso. Porém, é importante entendermos que empatia não é viver a dor do outro.

Empatia é aceitarmos que o outro tem uma dor. Compaixão é fazermos o que for possível para diminuí-la. Então, a empatia é o primeiro nível, é quando aceitamos a dor do outro; a compaixão é o segundo nível, quando fazemos algo para resolvê-la.

A compaixão requer uma ação, seja para o outro ou para nós mesmos. Mas só podemos agir quando aceitamos a dor, a tristeza, a inveja, ou qualquer sentimento denso, como existente e verdadeiro.

A empatia é passiva, a compaixão é ativa, mas uma depende da outra. Por exemplo, se sabemos que a causa de todas as dores é a ignorância e temos empatia, se alguém fizer algo negativo para nós, entenderemos que esse indivíduo não tinha um nível de consciência suficiente para fazer melhor.

Assim, estamos compreendendo a humanidade dessa pessoa, afinal, nós também somos humanos. E essa percepção nos leva à compaixão, que é querermos ajudar essa pessoa a ter mais conhecimento.

Cristo foi um exemplo de empatia ao estar na cruz e falar: “Pai, perdoa-lhes, pois eles não sabem o que fazem.” 

Ele podia ter xingado e amaldiçoado a humanidade, porque estávamos lhe infligindo a dor e a morte física. Mas ele pediu misericórdia para nós por empatia.

Muitas vezes, nós fazemos coisas aos outros, ou a nós mesmos, porque não sabemos o que estamos fazendo. E o não saber é gerado pela ignorância, por nossa falta de conhecimento.

Então, se temos empatia, sabemos que a pessoa está fazendo isso porque ela tem um ponto de vista em relação à vida que não é saudável. Na compaixão, no segundo nível, pensamos: como podemos ajudá-la?

Porém, querer ajudar não é querer ser o salvador do mundo. Muitas pessoas não querem ajuda, e precisamos respeitar o limite delas. Sempre ajudamos somente até onde podemos ajudar. A compaixão não é um ato heroico.

E, claro, também devemos nos ajudar. Porque, quando começamos a praticar a Atenção Plena, vemos desabrochar em nós tudo o que esteve escondido. Então, o primeiro passo é aceitarmos o que sentimos através da empatia por nós mesmos.

Assim como o outro, também somos humanos, então vamos sentir todos os sentimentos que consideramos negativos em algum momento. Mas, muitas vezes, temos a ilusão de que podemos ser perfeitos.

Crescemos com a ideia do herói sendo disseminada na mitologia, nos filmes e em tudo que nos cerca. A ideia de que podemos ser perfeitos, que o correto é não sentir as emoções, não sofrer, não chorar, não demonstrar fraqueza.

Mas todos sentimos medo. Mesmo um paraquedista experiente sente medo antes de saltar do avião. Ele salta apesar do medo porque entende que o sentimento faz parte do contexto e porque ele está disposto a ir além dessa sensação.

Porém, a ideia de perfeição com a qual crescemos e nos iludimos nos afasta da compaixão e da autocompaixão. Quando exigimos a perfeição de alguém, estamos marcando a pessoa com a certeza do fracasso.

E a exigência da perfeição, inclusive para nós mesmos, gera um outro fator que nos afasta ainda mais da compaixão: o julgamento. Quando julgamos, acreditamos que, se o outro erra, merece ser punido.

Isso nos faz querer punir as pessoas quando elas não correspondem à nossa expectativa. Assim, por exemplo, deixamos de falar com uma pessoa quando ela não age como queríamos. Esse julgamento e essa punição caem facilmente na necessidade de vingança.

Claro, não punimos somente os outros por não agirem de acordo com nossa cartilha, punimos a nós mesmos também. Muitas pessoas se punem uma vida inteira por erros do passado.

Quase sempre é mais fácil perdoarmos o erro de outra pessoa para conosco do que o nosso próprio erro. Basta fazermos uma análise sincera de quantas vezes nos julgamos durante a vida e de quanta culpa ainda carregamos.

Mas por que ainda carregamos essa culpa? Porque estamos nos autos julgando e auto punindo. A culpa é um sentimento que vem da auto punição. Se erramos, foi porque não fomos “perfeitos”, e a culpa é a nossa sentença nesse auto julgamento.

Porém, quando falamos de Humanidade Compartilhada, percebemos que não existe ser humano perfeito. Vamos todos, invariavelmente, passar por um fluxo de sentimentos e sensações que quase sempre não controlamos.

Isso nos leva a agir sem querer, a fazer ações negativas para nós e para os outros. Não podemos fugir desse fluxo de sensações e de acontecimentos na vida. Ainda assim, sentimos culpa toda vez que erramos.

Um ponto importante para observarmos em relação à culpa é que ela sempre está no passado. Não temos culpa sobre algo do futuro porque ele ainda não aconteceu, mas nosso passado costuma estar recheado dela.

Somos capazes de lembrar de qualquer momento desagradável que passamos, seja por ação nossa ou de outros, mas não lembramos tão bem dos momentos felizes e legais. Isso porque temos uma mente treinada para se fixar na culpa.

E essa fixação na culpa vem do modelo do ser humano perfeito, mesmo sendo uma completa ilusão. Ter compaixão é entendermos isso: não existe perfeição para nós – e tudo bem!

Precisamos ter compaixão em relação aos erros que cometemos, bem como devemos corrigir possíveis ações negativas que tenhamos feito a alguém, seja pedindo desculpas ou aliviando o prejuízo como for possível. 

Também é necessário aceitarmos que os outros podem reparar os erros que tenham cometido contra nós.

Porém, se seguimos na ideia do ser humano perfeito, paramos de aprender, afinal, só aprendemos através do erro. Só identificamos que uma atitude é negativa depois de observarmos várias vezes a reação que ela causa nas pessoas.

E aí, em algum momento, vamos entender que essa não é uma atitude legal. Só que não chegaríamos a essa conclusão sem errar! E, em vez de aprendermos com o erro, punimos a nós mesmos, atrasando ainda mais todo processo.

Os erros nos servem quando os usamos para identificar quais caminhos devemos seguir ou não. 

Não sabemos a verdade sobre todas as coisas, ninguém sabe, mas podemos perceber quando algum caminho leva à dor, mas só descobrimos isso vivendo esse caminho.

Só entendemos o caminho quando o percorremos. Não adianta falarmos para alguém que ser egoísta é algo negativo, pois só vivendo esse caminho e sendo egoísta várias e várias vezes é que aprendemos onde essa ação nos leva.

E esse caminho não é apenas de uma vida, são várias encarnações até aprendermos quais caminhos valem a pena ou não percorrer. 

Somente assim chegamos à compreensão de que não sabemos qual é o caminho correto, mas sabemos quais não queremos seguir.

Então, a compaixão também passa por aceitarmos que todos aqui neste planeta estão acertando e errando, porque estamos aprendendo. 

Até porque os erros vão além de uma questão social, pois, muitas vezes, podemos fazer algo prejudicial e não sermos punidos socialmente por isso.

Por isso, o erro tem a ver com a consciência. Não importa se alguém ficou sabendo ou não – no fundo, sempre sabemos se o que fizemos foi errado. Porque lembrem-se: a nossa consciência é uma fagulha do Criador.

Assim, mesmo que façamos algo contra nós mesmos e ninguém fique sabendo, ainda sentiremos culpa e uma série de sensações negativas. 

Então, na verdade, o erro é a forma do universo nos mostrar se o caminho que estamos trilhando é um caminho de paz ou não.

As sensações que experimentamos e a nossa consciência nos indicam o caminho correto para nós. 

Porém, fugimos das sensações negativas, escondemos os nossos erros, calamos a voz da consciência e vamos criando uma grande pressão interna com isso.

Esses sentimentos represados vão nos machucando de dentro para fora, por isso que é tão visível quando nos deparamos com alguém consumido pela culpa. No entanto, por meio da Atenção Plena, trazemos um olhar de compaixão para esses sentimentos.

Muitas pessoas imaginam que os treinamentos de Mindfulness são prazerosos, mas a verdade é que podemos estar relaxados e, de repente, conectamo-nos com uma culpa de 20 anos atrás que estava guardada no fundo do nosso inconsciente.

E aí, com empatia e compaixão, acolhemos essa culpa. Nesse contexto, falamos: “Eu sinto culpa porque, quando eu tinha vinte anos, fiz tal coisa e me arrependo amargamente disso. 

Mas eu não tinha a mesma consciência que tenho hoje e não tinha como saber como seria o caminho antes de trilhá-lo.”

E, se não sabíamos dos resultados que teríamos, não precisamos mais nutrir essa culpa, nem julgar nosso eu do passado pelo que somos agora, pois isso seria injusto.

Isso porque, certamente, naquele momento, de algum modo aquilo que fizemos parecia certo. Frente a esse erro do passado, talvez a única coisa que possamos fazer seja pedir desculpas aos envolvidos. 

Se for um autoperdão, colocamos as mãos no coração e falamos: “Eu me perdoo e aceito que o caminho que trilhei não é o caminho que trilharia hoje, mas eu não poderia saber disso se um dia não o tivesse trilhado.”

É errando que aprendemos. Basicamente, nossa infância e nossa juventude são uma sucessão de erros. Sentirmos culpa, hoje, por algo que fizemos anos atrás não faz sentido algum.

Na juventude, não tínhamos toda a experiência e a bagagem que temos hoje. Então, como vamos julgar pelo resto da vida esse adolescente, sendo que foram essas experiências que formaram quem somos hoje?

A Atenção Plena traz a sabedoria sobre o que sentimos, em vez de negarmos o que não podemos evitar. Ela nos ajuda a dizer: “Ok, eu sinto isso porque sou humano. Eu sinto isso porque todos os seres humanos sentem. Eu errei porque todo mundo erra.”

E, claro, isso nos exige compaixão, assim como devemos ter compaixão com um erro de uma criança. 

Quando uma criança erra, devemos entender que ela tem um nível consciencial pequeno ainda, e por isso não lhe batemos ou a punimos por isso.

Do mesmo modo, quando um cachorro come o sofá, ele o faz porque não tem a mesma consciência que nós a respeito dos bens materiais, por isso precisamos ter compaixão por ele em vez de espancá-lo.

Então, frente a um erro de alguém com menor nível consciencial do que nós, orientamos, mas não punimos. E isso inclui a nós mesmos no passado: também não sabíamos o que sabemos hoje, por isso devemos nos perdoar.

Sem essa capacidade de perdoarmos nossos erros passados, nossa vida vira um poço de mágoas e, quanto mais velho ficamos, mais mágoas colecionamos. Mas, certamente, esse não é o propósito da nossa vida, chegarmos ao fim dela oprimidos pelo passado.

A Atenção Plena nos diz para observarmos o que sentimos e porque determinados sentimentos surgem em algumas situações. Por exemplo: “Por que sinto raiva toda vez que falo da minha mãe?”.

Assim, em vez de negar esse sentimento, buscamos entender qual é a origem dele. Lembrem-se de que a raiva se manifesta no corpo físico através de um processo de pensamento. Então, quais pensamentos estão gerando essa imagem de raiva?

Talvez, ao indagarmos isso, percebemos que, na infância, nos sentíamos abandonados por nossa mãe quando ela saía e nos deixava sozinhos à noite em casa. 

Nesse ponto, trazemos à consciência o fato de que nossa mãe é um ser e nós somos outro. Portanto, não podemos exigir dela que tivesse agido como queríamos. Quem somos nós para exigir que alguém seja o que nós queremos?

Não somos Deus, mas o ego simplesmente esquece disso. E, se vamos dar ouvidos ao ego e realmente exigir que todos à nossa volta sejam da maneira que queremos, não estamos buscando nos relacionar com as pessoas, estamos buscando escravos, pois queremos alguém que nos sirva e traga determinadas sensações.

Também podemos fazer isso com nós mesmos, exigindo agradar todo mundo, sustentar a todos, ser como o outro quer que sejamos. Quando falhamos nessas cobranças, surge a culpa.

Somos o que somos, todos são o que são e todos nós vamos errar. Isso porque o erro faz parte da natureza humana. Toda evolução humana, inclusive a social, é construída por uma sucessão de erros.

Até a Idade Média, as pessoas morriam com 30 anos. Há cem anos, as mulheres não tinham direito algum à propriedade e eram simplesmente objetos. Se estamos discutindo hoje sobre racismo, é porque evoluímos, pois antes nem discussão havia.

E estamos melhorando como sociedade, mesmo que de forma lenta, porque estamos errando século após século, até que, finalmente, concluímos que estávamos indo por um caminho errado. E o processo de uma civilização é igual ao processo de uma vida.

Viemos para cá e erramos continuamente. Então, concluímos que aquele caminho não era o melhor e mudamos. Por isso, desenvolver a compaixão é tão fundamental, pois, sem perdoar a si e ao outro, esse processo torna-se extremamente doloroso.

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