Como Parar de Idealizar as Pessoas

Como Parar de Idealizar as Pessoas

Idealizar as pessoas é um fenômeno comum que afeta a maneira como percebemos e interagimos com os outros em nossas vidas. Este artigo reflete sobre o conceito de idealização, analisando por que tendemos a colocar alguém em um pedestal e como isso impacta nossos relacionamentos.

Abordaremos as diversas causas psicológicas por trás da idealização, incluindo inseguranças pessoais, necessidade de controle, influências da infância e expectativas moldadas pela cultura e pela mídia. Além disso, discutiremos estratégias eficazes para reconhecer, compreender e superar a tendência de idealizar pessoas, visando estabelecer conexões mais autênticas e saudáveis.

O Processo de Idealização

A idealização é um processo pelo qual uma pessoa atribui qualidades exageradamente positivas a outra, esperando que ela satisfaça certos desejos, preencha vazios emocionais ou traga felicidade. Esse fenômeno pode ser influenciado por diversos fatores psicológicos.

Projeção de Desejos

Nesse aspecto, o indivíduo transfere suas próprias aspirações e necessidades para outra pessoa, enxergando-a como a solução ideal para seus anseios. Por exemplo, alguém que deseja segurança pode ver um parceiro como extremamente protetor, mesmo sem evidências concretas dessa característica.

Falta de Conhecimento Real

No início de um relacionamento, a ausência de informações detalhadas sobre o outro pode levar a suposições idealizadas. Se alguém conhece uma pessoa que parece gentil em poucos encontros, pode rapidamente assumir que ela é sempre amável, ignorando a complexidade do seu comportamento em diferentes contextos.

Necessidade de Segurança Emocional

A idealização pode servir como um mecanismo de defesa para obter segurança emocional. Alguém pode idealizar um amigo como infalivelmente leal para se sentir menos ansioso sobre a estabilidade da amizade, criando uma falsa sensação de segurança.

Influência de Narrativas Culturais

As ideias de amor, amizade ou liderança perfeitos, promovidas por filmes, livros e mídias sociais, podem distorcer as expectativas das pessoas. Uma pessoa pode esperar que seu relacionamento romântico siga o padrão dos contos de fadas, buscando uma conexão sem conflitos ou desafios, o que é irrealista.

À medida que a relação se desenvolve e a realidade dos comportamentos e características humanas do outro se revela, a imagem idealizada começa a se desfazer, levando a desapontamentos e frustrações. Por exemplo, descobrir que o parceiro protetor é, na verdade, excessivamente controlador pode ser um choque.

Entender e reconhecer o processo de idealização é essencial para desenvolver relações mais saudáveis e baseadas na realidade, permitindo que as pessoas se relacionem de maneira mais autêntica e satisfatória.

Psicologia da Idealização

A mentalidade inocente se refere a uma perspectiva frequentemente encontrada em indivíduos que tendem a ver o mundo e as pessoas ao seu redor de maneira idealizada, geralmente esperando o melhor dos outros e imaginando que todos possuem intenções puras e virtuosas.

Essa mentalidade pode ser resultado de diversas influências, incluindo uma proteção excessiva durante a infância, experiências limitadas que não expuseram a pessoa a aspectos negativos das relações humanas, ou uma disposição natural para confiar e ver o bem nos outros.

Pessoas com uma mentalidade inocente costumam ser mais vulneráveis à desilusão, pois suas expectativas elevadas e percepção idealizada dos outros frequentemente entram em conflito com a realidade das falhas humanas e comportamentos imprevisíveis.

A idealização, neste contexto, funciona como um mecanismo de defesa que protege o indivíduo de encarar verdades desconfortáveis ou complexidades emocionais, ao mesmo tempo em que o coloca em risco de desapontamentos frequentes.

O Ciclo da Idealização: Da Esperança à Desilusão

O ciclo da idealização começa com a esperança e a crença de que a outra pessoa corresponderá a todas as expectativas e desejos imaginados. Essa fase é caracterizada por uma visão otimista e, muitas vezes, uma conexão emocional intensa baseada em percepções idealizadas. No entanto, à medida que o relacionamento progride e as verdadeiras características, limitações e falhas da outra pessoa se revelam, a imagem idealizada começa a se desfazer.

A transição da esperança para a desilusão ocorre quando as evidências da realidade contradizem as idealizações. Isso pode levar a sentimentos de traição, tristeza, raiva ou confusão, pois o indivíduo se depara com a discrepância entre a pessoa idealizada e a pessoa real. Nesse ponto, o ciclo pode levar a um reajuste das percepções e expectativas ou a um padrão repetitivo de idealizar novas pessoas ou relacionamentos, perpetuando o ciclo.

Romper com o ciclo da idealização exige autoconhecimento, maturidade emocional e a disposição para enfrentar e aceitar a complexidade das relações humanas. Envolve aprender a equilibrar a esperança e o otimismo com uma avaliação realista das pessoas e situações, desenvolver uma compreensão mais profunda das próprias necessidades e limites, e praticar a empatia e a comunicação aberta.

Idealizar as pessoas

Impactos da Idealização nas Relações Interpessoais

Nos relacionamentos amorosos, a idealização pode ter um impacto significativo tanto no início quanto no decorrer da relação. Inicialmente, pode parecer que a idealização serve para intensificar a conexão e o vínculo entre os parceiros, pois uma pessoa pode ver a outra como a perfeita correspondência de suas necessidades e desejos. No entanto, essa visão idealizada é frequentemente baseada em uma compreensão superficial e incompleta do outro.

À medida que a relação progride e as realidades individuais de cada parceiro vêm à tona, a discrepância entre a pessoa idealizada e a pessoa real pode levar a conflitos, desilusões e sentimentos de traição. A idealização pode impedir que os parceiros vejam e aceitem um ao outro como realmente são, incluindo suas qualidades, defeitos e necessidades individuais.

Isso pode resultar em uma comunicação falha, expectativas irrealistas e insatisfação contínua, onde os parceiros podem se sentir incompreendidos, não apreciados ou pressionados a viver de acordo com uma imagem ideal que não reflete sua verdadeira identidade.

Consequências da Idealização nas Amizades

Na amizade, a idealização pode ter consequências semelhantes às dos relacionamentos amorosos, embora as dinâmicas possam ser diferentes. Amigos idealizados são frequentemente vistos como companheiros perfeitos, sempre disponíveis, compreensivos e alinhados com nossos próprios valores e interesses. No entanto, esse ponto de vista ignora a complexidade e as variações individuais inerentes a qualquer relacionamento humano.

Quando a realidade do comportamento e das limitações do amigo se torna evidente, pode haver um sentimento de decepção ou traição, especialmente se a amizade foi colocada em um pedestal. Isso pode levar ao término abrupto da amizade, a sentimentos de ressentimento ou a um padrão de amizades constantemente descartadas e substituídas em busca da “amizade ideal”.

Além disso, a idealização pode impedir o crescimento e o aprofundamento da amizade, pois impede a honestidade e a vulnerabilidade necessárias para um relacionamento autêntico e de apoio mútuo.

Em ambos os contextos, amoroso e amizade, a idealização impede a formação de vínculos baseados em compreensão, aceitação e respeito mútuos pelas realidades individuais. Superar a idealização requer um esforço consciente para cultivar a percepção realista, a empatia, a comunicação aberta e a maturidade emocional, permitindo que as relações se desenvolvam de maneira saudável e gratificante.

Reconhecer e apreciar as pessoas em sua complexidade e autenticidade é fundamental para construir e manter relacionamentos interpessoais significativos e duradouros.

Identificando e Entendendo a Idealização

Reconhecer a idealização em si mesmo é crucial para modificar padrões de pensamento que podem estar prejudicando suas relações interpessoais. A idealização pode se manifestar de várias maneiras, impactando negativamente a forma como você se relaciona com os outros.

Expectativas Irrealistas

Esse padrão ocorre quando você cria uma imagem mental de como as pessoas deveriam agir ou ser, baseando-se em suas próprias expectativas, que muitas vezes são elevadas e inflexíveis. Quando as pessoas não conseguem atender a essas expectativas, você pode se sentir profundamente desapontado. Esse ciclo de expectativa e decepção pode ser exaustivo e prejudicar relacionamentos, pois coloca uma pressão injusta sobre os outros para que se encaixem em um ideal inatingível.

Desilusão Recorrente

Se você frequentemente se sente traído ou surpreso negativamente pelas ações de alguém, pode ser um sinal de que você está idealizando as pessoas, esperando delas mais do que elas podem oferecer. Essa desilusão contínua pode indicar que sua percepção está mais alinhada com seus desejos do que com a realidade das pessoas ao seu redor.

Relacionamentos Efêmeros

A idealização pode levar a relacionamentos que começam com intensidade, pois você fica encantado com uma imagem idealizada da outra pessoa. No entanto, à medida que a realidade se revela e você percebe que a pessoa não corresponde à imagem idealizada, o relacionamento pode perder rapidamente seu encanto e se desfazer. Isso pode resultar em um ciclo de relacionamentos curtos e insatisfatórios.

Projeção de Qualidades ou Falhas

Quando você atribui características extremas a alguém, seja positiva ou negativamente, sem uma base realista, está projetando suas próprias ideias e desejos sobre essa pessoa. Isso pode distorcer sua percepção e impedir que você veja a pessoa como ela realmente é, com suas qualidades e defeitos.

Jung e a Idealização de Pessoas

Carl Gustav Jung, um dos mais influentes psicólogos do século XX, abordou a idealização de pessoas através do conceito de projeção, que é central em sua teoria analítica. Jung acreditava que todos possuímos um inconsciente pessoal e coletivo, repleto de conteúdos e arquétipos que influenciam nossa maneira de perceber e interagir com o mundo e as pessoas ao nosso redor.

A idealização, segundo Jung, ocorre quando projetamos nossos próprios conteúdos inconscientes, sejam qualidades, desejos ou aspectos não reconhecidos de nós mesmos, em outra pessoa. Isso significa que, ao idealizar alguém, não estamos vendo essa pessoa como ela realmente é, mas sim como um espelho das nossas próprias expectativas, desejos ou aspectos não vivenciados da nossa personalidade.

Um exemplo clássico disso é o fenômeno da paixão, onde o objeto amoroso muitas vezes é revestido de qualidades quase sobre-humanas ou divinas. O amado se torna um portador da “anima” ou “animus” — os arquétipos do feminino no homem e do masculino na mulher, respectivamente — projetando-se nele uma imagem idealizada que dificilmente corresponde à realidade.

Jung via a projeção e a consequente idealização como processos naturais, mas também como obstáculos ao verdadeiro autoconhecimento e ao desenvolvimento individual, um conceito que ele chamava de processo de individuação. Para Jung, reconhecer e retirar essas projeções — um processo que ele denominava de “retirada de projeções” — era essencial para o desenvolvimento de relações autênticas e para a jornada de tornar-se inteiro, integrando os diferentes aspectos da psique.

Portanto, em seu trabalho terapêutico, Jung enfatizava a importância de identificar e confrontar essas idealizações e projeções como um passo crucial para o crescimento pessoal e o desenvolvimento de relacionamentos mais profundos e significativos.

Ao compreender que a idealização é uma distorção da realidade baseada em nossos próprios conteúdos inconscientes, podemos começar a ver os outros mais claramente, como realmente são, e a nos relacionar com eles de maneira mais autêntica e significativa.

Otto Kernberg e a Idealização de Pessoas

Otto Kernberg, um psiquiatra e psicanalista renomado, é amplamente conhecido por suas contribuições significativas à compreensão dos transtornos de personalidade, especialmente o transtorno de personalidade borderline. Dentro de seu extenso trabalho, Kernberg explora profundamente o conceito de idealização de pessoas, particularmente como um mecanismo de defesa em indivíduos com estruturas de personalidade mais complexas ou perturbadas.

Kernberg identifica a idealização como um processo pelo qual um indivíduo atribui qualidades exageradamente positivas a outra pessoa, geralmente de uma maneira que não corresponde à realidade. Essa idealização é vista como uma tentativa de manter uma imagem interna de uma pessoa ou objeto que é totalmente bom, poderoso e protetor, o que é especialmente prevalente em indivíduos com transtorno de personalidade borderline.

Para Kernberg, a idealização está intimamente ligada à divisão, que é um processo pelo qual os indivíduos separam as experiências positivas e negativas, impedindo a integração dessas experiências em um todo coeso. Por exemplo, uma pessoa pode idealizar um parceiro romântico, vendo-o como perfeitamente bom e sem falhas, enquanto ao mesmo tempo desvaloriza outra pessoa, vendo-a como completamente má.

Essa idealização serve a várias funções psicológicas, como proteger o ego de sentimentos de vazio ou de medo de abandono, criar uma sensação de segurança através da presença de uma figura idealizada, ou defender-se contra a percepção da própria agressão e hostilidade.

No entanto, Kernberg também aponta que a idealização pode levar a problemas significativos nos relacionamentos. Quando a pessoa idealizada inevitavelmente não consegue viver de acordo com as expectativas irreais, pode ocorrer uma rápida mudança de idealização para desvalorização. Esse ciclo pode resultar em relacionamentos instáveis e intensamente conflituosos, com altos e baixos dramáticos.

Na terapia, Kernberg foca na integração dessas visões divididas, ajudando o indivíduo a reconhecer e aceitar a complexidade e ambivalência nas relações humanas, promovendo uma visão mais realista e matizada de si mesmo e dos outros. Ao trabalhar através da idealização e suas raízes, busca-se alcançar uma maior estabilidade nas relações e um senso de identidade mais coeso e integrado.

Estratégias para Lidar com a Idealização

Tornar-se consciente de quando e como você idealiza é essencial. Observe os momentos em que sua percepção sobre alguém parece descolada da realidade. Por exemplo, se você frequentemente se surpreende pensando que alguém não tem defeitos ou é capaz de atender todas as suas necessidades e expectativas, isso pode ser um sinal de idealização. Reconhecer esses padrões ajuda a iniciar o processo de mudança.

Exploração das Raízes

Entender o que motiva sua tendência a idealizar é um passo importante. Pergunte a si mesmo por que você coloca alguém em um pedestal. Isso pode ser um reflexo de inseguranças pessoais ou desejos não atendidos. Por exemplo, se você se sente inseguro em sua capacidade de ser amado, pode tender a idealizar parceiros românticos, acreditando que eles são perfeitos e capazes de preencher um vazio emocional.

Aceitação

Aceitar a imperfeição humana é vital. Entender que todos têm qualidades e defeitos ajuda a criar expectativas realistas sobre os outros. Por exemplo, ao invés de acreditar que seu amigo é sempre confiável e nunca falhará com você, reconheça que, como humano, ele pode cometer erros ou agir de forma inesperada às vezes.

Comunicação

Desenvolver habilidades de comunicação eficaz é crucial para expressar suas expectativas e sentimentos. Isso ajuda a ajustar suas expectativas em relação aos outros e a estabelecer relações mais autênticas. Por exemplo, em vez de assumir que seu parceiro sabe o que você precisa, aprenda a expressar suas necessidades e desejos claramente.

Terapia

Para algumas pessoas, a terapia pode ser um recurso valioso para lidar com a idealização. Um terapeuta pode oferecer um espaço seguro para explorar as razões por trás dessa tendência e desenvolver estratégias para superá-la, ajudando você a entender e processar emoções ou experiências passadas que podem estar contribuindo para esse padrão.

Desenvolvimento Pessoal

Atividades que promovem o autoconhecimento e o crescimento pessoal, como meditação, leitura ou hobbies, podem ser muito úteis. Essas práticas ajudam a aumentar a autoconsciência e a autoaceitação, componentes chave para superar a idealização.

Relacionamentos Realistas

Esforçar-se para estabelecer relacionamentos baseados na realidade ajuda a criar conexões mais profundas e significativas. Isso significa aceitar e apreciar os outros como eles são, com suas qualidades e falhas, e não como você gostaria que fossem. Reconhecer e valorizar a autenticidade nas relações fortalece os laços e promove uma interação mais genuína e satisfatória.

Livros sobre Idealizar Pessoas

Brené Brown – A coragem de ser imperfeito: Como aceitar a própria vulnerabilidade, vencer a vergonha e ousar ser quem você é

Neste livro, Brené Brown explora a importância de abraçar a vulnerabilidade e superar a vergonha. Ela nos encoraja a ser autênticos, a aceitar nossos erros e imperfeições, e a ousar ser quem realmente somos. Com uma abordagem sincera e compassiva, Brown oferece insights poderosos sobre como cultivar a coragem para abraçar nossa humanidade.

Brené Brown – A coragem de ser você mesmo

Neste livro, Brené Brown continua sua exploração da coragem e da autenticidade. Ela nos incentiva a abandonar as máscaras que muitas vezes usamos para nos encaixar e a abraçar nossa verdadeira essência. Brown compartilha histórias inspiradoras e pesquisas que mostram como viver de acordo com nossos valores e crenças mais profundos pode levar a uma vida mais significativa.

Brené Brown – A arte da imperfeição: Abandone a pessoa que você acha que deve ser e seja você mesmo 

Neste livro, Brené Brown nos convida a abandonar a busca pela perfeição e a abraçar a imperfeição como parte fundamental de nossa jornada. Ela explora como a cultura da vergonha nos impacta e oferece orientações sobre como cultivar a autenticidade e a compaixão por nós mesmos. Este livro é um guia inspirador para viver uma vida mais plena e significativa.

Conclusão

Lidar com a idealização de pessoas é um processo que exige consciência, introspecção e ações práticas. Ao reconhecer quando e por que idealizamos os outros, podemos começar a trabalhar em direção a uma percepção mais realista e equilibrada das pessoas em nossa vida.

Aceitar que todos possuem qualidades e defeitos, aprender a comunicar claramente nossas expectativas e sentimentos, buscar o autoconhecimento e desenvolver relacionamentos baseados na realidade são passos fundamentais para superar a idealização.

Por fim, em alguns casos, a terapia pode ser uma ferramenta valiosa para explorar as raízes desse comportamento e aprender estratégias eficazes para mudá-lo. Ao adotar essas abordagens, podemos estabelecer relações mais saudáveis, autênticas e satisfatórias, beneficiando tanto a nós mesmos quanto às pessoas ao nosso redor.

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