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Criticar

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A origem da crítica é o não entendimento de que não existe perfeição, que o único ser perfeito é o Criador. Só Ele é perfeito porque é o conjunto de todas as partes Dele mesmo.

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Mas não existe nenhum tipo de perfeição, por exemplo, em trabalhos que possamos realizar, em nossas relações afetivas ou em nossas amizades. A perfeição é para nós um ideal inalcançável. Claro, podemos nos dedicar a tudo o que fazemos para chegarmos o mais perto possível desse ideal, mas deve-se manter em mente que a perfeição não existe e que, quando a buscamos incessantemente, nunca estamos satisfeitos.

Embora não possamos alcançar a perfeição, podemos imaginá-la, porque ela é um ideal mental, ou seja, só existe na mente. Por exemplo, podemos imaginar uma maçã perfeita, mas ela é perfeito somente porque está em nosso campo mental. Quando trazemos algo da dimensão mental para a terceira dimensão, há uma deformação, o que faria com que a maça deixasse de ser perfeita. Portanto, precisamos aceitar como natural que a terceira dimensão não é a dimensão da perfeição.

Então, podemos até ter um ideal de relacionamento perfeito em nossa mente, mas, quando iniciamos uma relação, devemos evitar nos frustrar com o fato de que, no dia a dia, esse relacionamento não será como imaginamos. Se não estamos conscientes disso, caímos facilmente na crítica, e a crítica afasta as pessoas, afasta os trabalhos, afasta tudo, porque estamos querendo encontrar na realidade tridimensional o que só existe na dimensão mental.

Mas a crítica nem sempre é algo negativo, pois podemos criticar de modo construtivo. Fazemos isso quando apontamos erros e defeitos com a única intenção de melhorá-los. Nesse caso, conseguimos analisar que determinadas circunstâncias ou certas características não estão nos levando a um resultado satisfatório. Porém, a crítica vazia deve ser exterminadas das nossas vidas.

Quando criticamos por criticar, isso se torna um hábito, de modo que nada nunca está bom. Então, criticamos a nós mesmos constantemente e criticamos tudo e todos ao nosso redor. Criticamos o serviço do restaurante, os funcionários, o parceiro, o próprio trabalho, pois nada está bom o bastante. Esse tipo de mentalidade nos afasta das pessoas e oportunidades, porque ninguém aguenta viver assim por muito tempo.

Também nos prejudicamos quando a autocrítica é excessiva. Nesse contexto, não conseguimos nem começar projetos e tampouco relações, uma vez que acreditamos que não somos bons o bastante ou que não estamos prontos o suficiente. Mesmo se conseguimos iniciar um projeto, nos frustramos quando ele não funciona plenamente como imaginamos. Mas, em vez da frustração, podemos trazer a aceitação e buscarmos melhorar um pouquinho todo dia.

Por exemplo, se decidimos começar um canal no YouTube, não devemos nos preocupar logo de cara em ter o melhor canal. Devemos começar com o que temos e, com a prática, irmos aprimorando o que for necessário. Quando começamos pequeno, erramos pequeno. Assim, podemos aprender e, com isso, corrigir nossas falhas ao longo do percurso, em vez de nos considerarmos fracassados ao primeiro sinal de insucesso.

Lembrem-se que uma árvore começa sua jornada como uma semente. Outra analogia que gosto de fazer é vermos nossos projetos e relações como um vaso de barro. Isso quer dizer que no início eles podem estar meio deformados e sem acabamento. Porém, com o tempo e dedicação, podemos moldá-los para que cheguem mais perto do nosso ideal mental. Claro, esse é um processo que requer paciência, qualidade que poucas pessoas desenvolvem atualmente. A maioria de nós quer o vaso de barro perfeito desde o primeiro segundo ou o descarta se ele não é imediatamente como esperávamos.

Quem vive com esse ideal de perfeição costuma ser um grande julgador e se comporta como se fosse o juiz de todos. Ele julga o que o outro faz, a roupa que o outro veste, o cabelo, a voz, o modo de falar, nada escapa do crivo dessa pessoa. Como disse, quando agimos assim, não estamos aceitando que a terceira dimensão é a dimensão da imperfeição. Além disso, com frequência, o julgamento descamba na fofoca, o que nos leva a adquirir o vício de falar mal dos outros. Percebam como é formado um círculo vicioso que culmina no afastamento de todas as pessoas, bloqueando totalmente nossa capacidade de realização na vida.

Criamos um ideal de perfeição que ninguém pode atingir, nem nós mesmos, e ficamos correndo atrás de algo que não existe. Não existe a pessoa perfeita, o trabalho perfeito, o amigo perfeito, não aqui na terceira dimensão. Por isso, precisamos aprender a lidar e a assumir as imperfeições, sejam as nossas ou as de nossos projetos e de nossas relações. Isso é ser humildade perante a vida. É aceitarmos que podemos dar apenas o nosso máximo, assim como as outras pessoas também.

Se exigimos mais das pessoas do que elas podem oferecer, passamos a ser os juízes do mundo, que é o que acontece hoje em dia com essa cultura do cancelamento. As pessoas querem que todos correspondam aos seus ideais mentais. A partir disso, passam a julgar, sentenciar, acusar, e cria-se todo um processo negativo que só nos afasta de tudo.

Para curar isso, precisamos desenvolver uma característica fundamental para todos nós, a compaixão. No curso de atenção plena, desenvolvo esse conceito mobilizando a autocompaixão. Quando começamos a analisar nossos pensamentos, percebemos que estamos o tempo todo julgando. Atenção plena não é o exercício de pararmos de julgar, mas o exercício de observarmos o quanto e o que julgamos. Ainda assim, a autocompaixão é fundamental nesse processo, porque ela é a aceitação de que não somos perfeitos. Aceitando que não somos perfeitos, sabemos que erramos na maioria das vezes. Afinal, a vida é um laboratório de testes, estamos aprendendo com os nossos erros constantemente. Ninguém que está neste planeta é perfeito, ninguém aqui é capaz de emitir a opinião perfeita.

A autocompaixão é compreender que as pessoas não são perfeitas, portanto, alguém pode ter me magoado sem a intenção, assim como eu posso ter magoado alguém do mesmo modo. Quantas vezes julgamos mal alguém porque não recebemos um “Oi” com o sorriso que gostaríamos. Porém, ninguém tem a obrigação de ser perfeito em todas as suas interações. Mesmo assim, exigimos, todos os dias, um “Bom dia!” bem humorado e, no dia em que ele não vem, já começam os julgamentos, assim como muitas vezes nos julgamos por um erro ou por um resultado não tão satisfatório.

Então, a autocompaixão é necessária para termos a humildade de aceitar nossas imperfeições e estender isso ao próximo. Claro, ainda haverá pessoas com as quais não concordamos ou em relação a quem vamos julgar ter feito um serviço ruim. Mas o que precisamos, basicamente, é nos colocarmos no lugar do outro e perceber se, com o nível de conhecimento e com as vivências dele, agiríamos ou pensaríamos diferente dele.

Agora, se simplesmente saímos criticando todo mundo que não age pela nossa cartilha e não faz as coisas como fazemos, vamos ter motivos infinitos para criticar. Afinal, todos somos diferentes e, além disso, realmente há muita coisa negativa no mundo. De novo, aqui, cabe nos lembrarmos da ideia do copo meio cheio e meio vazio: nós escolhemos em qual parte dele queremos colocar nossa atenção.

Há uma história de Cristo que conta que ele estava caminhando com Pedro. Então, Pedro viu uma carcaça de cachorro na beira da estrada e o mostrou ao Mestre. Jesus olhou o cachorro e falou: “Mas que belos dentes ele tinha.” Vejam, ele podia reclamar da carniça estar à vista, do cheiro e de coisas afins, mas se fixou no que havia de mais belo naquela carcaça.

Não digo para sermos “Poliana”, agindo como se o negativo não existisse, mas, sempre que possível, como um exercício mental, devemos olhar as coisas boas. Então, uma pessoa pode não corresponder ao nosso ideal, mas certamente ainda possui muitas boas características nela. Resumindo, devemos buscar o melhor nos outros e em nós também.

O que de melhor temos a oferecer à vida e às outras pessoas? Não fixarmos nossa mente apenas no que temos de pior ou no que não fazemos tão bem. Isso porque quem convive com pessoas que só criticam sabe que a crítica destrói tudo. Muitos chefes agem assim, achando que estão incentivando seus funcionários a entregar um trabalho melhor, mas não estão ajudando, pois ninguém aguenta ter apenas seus pontos negativos exaltados.

A crítica destrutiva cansa, por isso, na primeira oportunidade. Pessoas que trabalham ou convivem com indivíduos assim vão embora. Mas e quando somos nós mesmos que nos criticamos dia e noite? Para onde vamos fugir? Não vamos, pois não há como fugir de si próprio. E aí a vida começa ser um inferno, porque sentimos que nada do que fazemos está bom, que nós não prestamos, que não somos bons companheiros, filhos ou profissionais e que só erramos.

Quando vivemos nesse fluxo, passamos a nos boicotar cada vez mais, tudo para evitar ter que tentar algo novo. Muitas vezes, evitamos até começar um novo relacionamento porque acreditamos que iremos destruí-lo de qualquer forma. Assim, a vida vai travando por causa da crítica. Por isso, precisamos assumir nossas imperfeições, aceitar que as pessoas são imperfeitas também e admitir que tudo o que o ser humano faz está imperfeito em algum nível. Não há problema com qualquer uma dessas coisas.

Mas, vejam, há uma diferença bem grande entre não alcançar a perfeição e fazer as coisas de má vontade. Esse segundo, sim, deve ser combatido. Quando um projeto é feito com total boa vontade, mesmo que com o resultado imperfeito, será algo de valor. Porém, se fazemos esse mesmo projeto de qualquer jeito, o resultado certamente será uma porcaria. Por exemplo, estar com alguém simplesmente por estar, não porque queremos compartilhar a vida com ela, e sim para suprir nossas carências internas, abafar nosso medo de ficar sozinho. Será que teremos um bom relacionamento assim, estando com alguém que é só um figurante da nossa carência? Certamente não, pois a chance de fazermos algo de má vontade e sermos bem sucedidos é quase nula.

Agora, se tentarmos o nosso máximo, se fizermos o que podíamos com o que tínhamos naquele momento, não há motivo para crítica. Se alguém nos criticar, teremos a calma interior de não aceitar as cobranças externas.

Sempre que alguém nos criticar e quiser receber mais do que podemos oferecer, se sabemos ter dado o nosso melhor, devemos deixar claro que isso é tudo que podemos dar. A outra pessoa decide se aquilo é suficiente para si ou não. Agora, se fazemos um trabalho mal feito e a outra pessoa vem nos criticar, teremos margem interna para realmente aceitar a crítica. Aí, surge a culpa. Para evitar essa autoculpabilização, entregamos o nosso melhor, mas sem pretender sermos perfeitos.

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