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O silêncio interior

Nesse artigo vamos refletir sobre o que é o silêncio interior e como podemos agir para atingir esse estado de paz e tranquilidade.

O silêncio é a primeira prática de Atenção Plena que podemos incorporar no nosso dia a dia. Mas de que silêncio estou falando? O silêncio de desligar todos os aparelhos e ficar no quarto quietinho?

Também, pois essa é uma ótima prática. E, praticando entre cinco e dez minutos diários, aos poucos vamos acessando uma paz interior. Só que o silêncio ao qual me refiro é muito mais profundo, é um silêncio mental.

Nesse artigos vamos refletir sobre o silêncio e a meditação.

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Parar os pensamentos e o silêncio

Não estou falando para vocês tentarem parar o pensamento. Até porque, se tentarmos meditar parando o pensamento, vamos ficar neuróticos e não vamos conseguir meditar…

Vimos anteriormente que os pensamentos não param. O coração bate, os pulmões respiram, os rins filtram e o cérebro pensa. O cérebro é um gerador de pensamentos, e ele faz isso 24h por dia.

A questão é aprendermos a conviver com esses pensamentos e não os afastar. E aprender a conviver é não nos associamos a eles. Quando fazemos isso, o silêncio mental vem.

Por exemplo, estamos dirigindo e, de repente, vem um pensamento do passado, da época em que tínhamos 18 anos de idade e magoamos a nossa mãe por algum motivo. O cérebro tirou do inconsciente um monte de imagens e sensações e as jogou para o consciente.

Agora, temos duas opções diante desse pensamento: Podemos nos associar a esse pensamento, isto é, passar a ser o ator do pensamento, a reviver aquela situação e a reviver essas imagens mentais; ou podemos nos colocar como observadores, ou seja, como se estivéssemos vendo um filme de nós mesmos. E nisso entra o fundamento principal da Atenção Plena: o não julgamento.

Porque, como espectadores de um filme, não devemos julgar o que vemos. Se julgamos, então estamos nos colocando como atores e passamos a ser um personagem nessa trama. Então, o não julgamento é fundamental.

O silêncio e o não julgamento

Quando não julgamos, o pensamento vem, porque esse é um processo natural do cérebro, mas nós simplesmente o observamos. Como uma nuvem, o pensamento vai passar e ir embora.

Quando ele vai embora, criamos um afastamento do pensamento, um espaço, e aí está o silêncio. No começo, é normal que o fluxo de pensamentos seja muito grande e esse silêncio entre um pensamento e outro seja pequeno, talvez quase imperceptível.

Mas, com o tempo e a prática, esse intervalo vai ficando maior. Isso porque o cérebro começa a demorar mais tempo para lançar um novo pensamento após a partida do último. Assim, o espaço vai aumentando, e nesse espaço está o silêncio da meditação.

O silêncio e o foco

Outra forma de atingirmos o silêncio mental é focarmos no mundo material, no mundo prático. Por exemplo, estamos cozinhando e veio um pensamento do futuro: “Meu Deus, eu tenho que entregar tal coisa!”.

Vejam, passado e futuro não existem. O passado são representações mentais do que já vivemos, e o futuro são imagens criadas pelo cérebro para aquilo que ainda não vivemos. Então, nenhum dos dois existe.

Portanto, a única coisa que realmente existe é o ato de estarmos cozinhando. Mas, se estamos inconscientes, ou seja, não estamos em Atenção Plena, nosso cérebro se apega a esse pensamento do futuro.

Assim, passamos a cozinhar no modo automático e a nossa atenção estará totalmente no futuro, em algo que não existe. Logo, não estamos vivendo o momento presente.

Às vezes, conseguimos lidar com o fato de raramente estarmos no presente, mas, muitas vezes, não. Um exemplo disso são os casos de pessoas que sofrem de síndrome do pânico, ansiedade, depressão, entre outros transtornos.

Mas como abandonar esse fluxo de pensamentos do futuro? Voltando nossa atenção para o nosso corpo. Se estamos cozinhando e percebemos que nossa mente está como um mar agitado, então voltamos nossa atenção para os dedos, por exemplo.

Podemos sentir a textura do cabo da colher em nossa mão, o vapor saindo da panela, o sabor da comida. Podemos sentir sua textura, seu aroma. Tudo isso faz com que nosso foco saia do tempo futuro, que não existe, e vá para o momento presente.

Esse é um dos melhores exercícios para quem tem ansiedade ou síndrome do pânico, justamente porque, voltando nossa atenção para o corpo ou para os objetos ao nosso redor, obrigamos a mente a sair do futuro e voltar para o momento presente.

Claro, no começo, conseguimos ficar somente alguns segundos no presente, pois a nossa mente tende a voltar para o futuro. De qualquer forma, mesmo que pouco, trazemos nossa atenção para o corpo mais uma vez. É uma gangorra.

Conclusão sobre o silêncio

Então, resumindo, não negamos os pensamentos do passado e não tentamos parar os pensamentos do futuro. Apenas fazemos o movimento da gangorra: fomos para o futuro, voltamos para o presente; fomos para o passado, voltamos para o presente.

Essa insistência em voltar para o presente vai inibindo a amígdala cerebral e estimulando o córtex pré-frontal. Isso significa ir trocando o estresse e o modo de luta ou fuga por sensações de bem-estar e pertencimento.

Só que é um treino, não adianta querermos voltar para o presente uma vez e permanecermos para sempre no agora se nosso cérebro aprendeu desde sempre a fazer exatamente o contrário. É como se estivéssemos fazendo uma “musculação” no cérebro.

Assim, com a prática e com o tempo, ensinamos o cérebro a se manter focado no momento presente e na ação que estamos executando. Não há mais fluxos descontrolados de pensamentos, e o intervalo entre um pensamento e outro cresce, aumentando o silêncio mental.

O silêncio é esse ato de silenciar o passado e o futuro. Mas não silenciar no sentido de bloquear ou anular, mas sim de trazermos a atenção para o agora. O silêncio vem quando colocamos nossa atenção no momento presente.

Conforme avançamos na técnica, os intervalos vão ficando maiores, ao ponto que decidimos quando vamos pensar sobre o futuro para planejar algo ou pensar sobre o passado para refletir sobre algo. Esse é o modo de usufruir do nosso córtex pré-frontal sem fugir do momento presente.

Copyright do texto © 2022 Tibério Z Dados internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste artigo pode ser reproduzida ou usada de qualquer forma ou por qualquer meio, eletrônico ou mecânico, inclusive fotocópias, gravações ou sistema de armazenamento em banco de dados, sem permissão por escrito, exceto nos casos de trechos curtos citados em resenhas críticas ou artigos de revistas. (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) DA-2022-022903

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