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Se você tivesse mais um ano de vida

Se você tivesse mais um ano de vida apenas o que você faria com o seu tempo e os seus momentos.
um ano de vida

Nesta aula, levantarei dois questionamentos mais profundos com a intenção de começarmos a clarear a percepção de nosso propósito. Sei que muitos acharão este capítulo um tanto mórbido, uma vez que precisarei falar da morte.

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Talvez já tenham escutado que a morte é uma grande conselheira. Mas, apesar de, em certo nível, a admitirmos como uma fonte de sabedoria, a sociedade evita olhá-la, finge que ela não existe e a considera um assunto terrível e mórbido.

No entanto, a morte é o único fato concreto que temos. A única certeza de nossas vidas é que nascemos neste planeta, temos uma história aqui e iremos embora em algum momento. Mas o que isso tem a ver com propósito?

Vamos nos questionar: se eu tivesse apenas mais um ano de vida, o que eu faria? Escrevam essa pergunta em uma folha e respondam para si próprios. Muitos perceberão que a resposta é totalmente diferente do que fazem hoje. Porque a morte traz a ideia de finitude, de que as coisas irão acabar e de que esse teatro que vivemos no planeta Terra tem os dias contados para nós.

O mais incrível é que não sabemos quanto tempo temos, se mais alguns dias, meses ou anos. E só nos dirigimos para o nosso propósito quando temos enraizada essa noção de que o tempo aqui é finito e de que perdê-lo com o que não faz sentido para nós é inútil.

Por isso, outro fenômeno comum quando nos perguntamos o que faríamos se tivéssemos apenas mais um ano de vida é percebermos que nossa resposta traz coisas que queríamos fazer há muito tempo.

Percebemos o poder transformador que a consciência da morte nos traz quando vemos os inúmeros casos de pessoas que chegam em estados terminais, têm uma segunda chance e mudam completamente suas vidas e prioridades a partir desse ocorrido. Mas não precisamos chegar à beira da morte para compreendermos que a vida aqui tem um fim. Tampouco é necessário passarmos por essa experiências para percebermos que perder tempo com algo que não nos traz amor, não nos energiza e não contribui para um mundo melhor, é absolutamente inútil.

Imaginem que o Criador nos convidou para uma festa, e essa festa é a vida. A festa está rolando, o DJ está tocando e todo mundo está dançando alegre. Mas nós estamos parados em um canto, reclamando de tudo e todos. Então, às 5 horas da manhã, o DJ para de tocar e a festa acaba. O que nós aproveitamos? Pensando nisso, aprendi que as decisões que tomo na vida são pensando no que elas vão significar quando a festa acabar.

Compartilhando um pouco da minha vivência, desde novo fui considerado “muito louco”, porque, sempre que chegava à conclusão de que algo não significava nada para mim, simplesmente abandonava aquilo. Foi assim que abandonei três empregos, sem nem mesmo voltar para pegar o dinheiro a que tinha direito. Se eu me sentia infeliz e insatisfeito, perguntava-me o que aquele emprego iria significar no meu último suspiro de vida, e, se descobria que nada advindo dele me importaria, saía andando e não voltava mais.

Porque é isso: se algo não vai significar nada no meu último suspiro de vida, então é nada. Agora, se significar, se vou olhar para trás e pensar que valeu a pena ter feito aquilo, então devo continuar nesse caminho.

Porém, nosso cérebro cria uma ideia de que somos eternos no planeta Terra. Com isso, toda a sociedade acaba evitando esse tema da morte, só que ela é o parâmetro mais importante da vida. A morte traz profundeza para nossa vida e nossas ações, é o que nos diz “Amigo, aproveita esse momento, não perca tempo com coisas desnecessárias para você.” Aqui, o autoconhecimento é fundamental, porque o desnecessário para um pode ser necessário para outro. Trazendo para o dia a dia, é preciso se questionar: “Por que estou fazendo essa atividade? Isso está me energizando, me tornando uma pessoa melhor?”.

É inevitável a chegada do dia em que a festa acabará. Nesse momento, vamos precisar olhar para trás, para o que fizemos ou deixamos de fazer. E imaginem a sensação de pensarmos que passamos 50 anos fazendo algo que não queríamos…

Quando chegamos no plano astral e essa realidade nos atinge, pedimos para os mentores mais uma chance, queremos reencarnar para, dessa vez, realmente aproveitarmos a festa.

Afinal, o maior presente do Criador é a vida, é a consciência, é o poder de termos uma visão de mundo, de possuirmos o que amamos e de gostarmos de fazer algo. E a riqueza da existência é que cada pessoa é um universo em particular. Essa é, também, a grande riqueza do Criador.

Desse modo, podemos ver a criatividade Dele, porque cada ser tem algo dentro de si que ama, que motiva e energiza. Mas passamos a vida olhando para isso como um fardo. E isso torna-se um fardo simplesmente porque estamos fazendo o que não gostamos, estamos onde não queremos estar e com quem não queremos estar.

Precisamos expandir nossas consciências para o fato de que não temos nada a perder, afinal, já perdemos tudo. Já perdemos, pois sabemos que chegará o dia em que deixaremos tudo aqui, nada desse teatro irá conosco. Portanto, se não temos nada, não temos nada a perder por assumir as nossas escolhas.

Fui julgado como louco quando abandonei três empregos, mas, na verdade, a consequência disso foi ter paz de espírito e a motivação de fazer o que eu gostava. Eu não tinha dinheiro e, por muito tempo, vivi praticamente como um indigente. Claro, eu era extremista, afinal era muito forte em mim essa consciência de que eu iria embora daqui a qualquer momento e que, por isso, precisava ser feliz no agora. Com o tempo, aprendi a ter mais equilíbrio, paguei o preço por ser tão extremista. Mas ainda sei que vou embora a qualquer segundo, e isso não é algo terrível, é como as coisas são. Só precisamos de sabedoria para compreendê-las e aceitá-las.

O universo não nos esconde a morte, ela está acontecendo a todo momento à nossa volta. Sabemos que vamos perder esse corpo físico e não há nada de terrível nisso. Nesse contexto, simplesmente deslocamos nossa consciência para outra dimensão, a festa no planeta Terra acaba, assim como esses personagens e esse contexto.

Quando tudo acabar, o que vamos lembrar dessa vida? Provavelmente o que respondemos na questão “O que faríamos se tivéssemos só mais um ano de vida?”. Agora, questiono novamente: se não sabemos quanto tempo nos resta, vamos deixar para amanhã ou vamos fazer agora? Lembrando que o amanhã não existe, ele é sempre uma hipótese. E isso não é cruel, é a realidade. Temos que dançar de acordo com a música, pois não podemos exigir que as leis universais mudem porque não temos sabedoria para lidar com elas.

Além disso, encontrar nosso propósito não é uma questão de tempo, é uma questão de coragem, afinal, interiormente todo mundo sabe o que dá prazer, o que motiva, só precisamos de coragem para admitir. Se ainda não tivemos essa coragem para assumirmos o que queremos fazer, o modo como queremos tocar nossa vida, não são os próximos dez anos que farão a diferença. Afinal, não é nos próximos dez anos que faremos algo, é agora.

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